A identificação precoce de lesões que podem evoluir para o câncer faz toda a diferença no cuidado aos pacientes. Pensando nisso, o Banco do Bem, programa do INCAvoluntário que financia projetos voltados à melhoria da assistência no Instituto Nacional de Câncer (INCA), viabilizou a compra de um novo colposcópio para o Ambulatório de Anuscopia de Alta Resolução (AAR).
O equipamento será utilizado no centro cirúrgico e permitirá ampliar o atendimento a pacientes que necessitam de tratamento sob sedação ou anestesia, além de trazer mais segurança para um serviço que, até então, contava com apenas um aparelho.
Segundo o médico Rodrigo Otávio de Castro Araújo, responsável pelo projeto, o colposcópio é indispensável para a realização da anuscopia de alta resolução, exame que identifica lesões precursoras do câncer ainda em estágios iniciais.
”Mais de 80% dos casos de câncer surgem a partir da progressão de lesões precursoras. Essas alterações são pequenas, planas e praticamente invisíveis a olho nu. O colposcópio amplia a imagem em até 17 vezes e permite localizar exatamente a área que precisa ser avaliada e biopsiada.”

O especialista explica que o exame segue o mesmo princípio utilizado no rastreamento do câncer do colo do útero. Com a identificação dessas lesões antes que elas evoluam, é possível realizar um tratamento menos invasivo e evitar que a doença se desenvolva.
Antes da aquisição do novo equipamento, o ambulatório funcionava com um único colposcópio. Além da preocupação com uma possível interrupção do serviço caso o aparelho apresentasse defeito, havia outra limitação importante.
Alguns pacientes apresentam lesões mais extensas ou não conseguem realizar o procedimento apenas com anestesia local. Nesses casos, o tratamento precisava ser dividido em diferentes sessões ou, em algumas situações, acabava sendo adiado.
Com o novo colposcópio instalado no centro cirúrgico, esses pacientes passam a contar com a possibilidade de realizar o procedimento sob sedação ou anestesia, permitindo concluir o tratamento em uma única sessão.
A expectativa é realizar cerca de quatro procedimentos por semana, o equivalente a aproximadamente 180 atendimentos por ano. São pacientes que antes não tinham essa alternativa disponível dentro do Instituto.
Diagnóstico precoce muda o tratamento
Estudos científicos já demonstraram que o tratamento das lesões precursoras reduz significativamente a chance de evolução para o câncer invasivo. Na prática, isso significa substituir um tratamento oncológico complexo por um procedimento realizado de forma muito menos agressiva.
Além de aumentar as chances de prevenção, o diagnóstico precoce também contribui para preservar a qualidade de vida dos pacientes, reduzindo o risco de tratamentos que podem deixar sequelas permanentes.
Primeiro projeto assistencial submetido por um médico
O projeto também marca um momento importante para o Banco do Bem. Esta foi a primeira proposta submetida por um médico do INCA e aprovada pelo programa.
Para Rodrigo, a iniciativa mostra que projetos assistenciais também podem ser fortalecidos por meio das doações recebidas pelo INCAvoluntário.
“É um equipamento que vai diretamente para a assistência ao paciente. Esse resultado mostra que projetos voltados às necessidades do dia a dia do Instituto também encontram espaço no Banco do Bem e podem beneficiar pessoas que dependem do SUS.”
O médico destaca ainda que o ambulatório se tornou referência nacional na área e foi o primeiro serviço da América Latina certificado pelo AIDS Malignancy Consortium (AMC), reconhecimento que reforça a importância de investimentos capazes de ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce.
Ao transformar as doações em equipamentos que impactam diretamente a assistência, o Banco do Bem contribui para que mais pacientes tenham acesso a tecnologias que ajudam a identificar lesões antes do desenvolvimento do câncer, ampliando as possibilidades de prevenção e cuidado.
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