Quando o voluntariado ganha novas formas de transformar vidas
A solidariedade pode assumir diferentes formas e algumas delas surpreendem. É o caso da voluntária Gabriela Salomão Vaz Moreira, que há mais de uma década dedica seu tempo ao INCAvoluntário, atuando na recreação infantil. Agora, ela amplia esse impacto por meio da escrita, transformando seu livro, “Minha Conversa com Deus”, em uma ação concreta de doação, revertendo integralmente a renda das vendas para a instituição.
Ao todo, a iniciativa já arrecadou R$ 12.400 (doze mil e quatrocentos reais), valor destinado ao apoio de pacientes oncológicos atendidos pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Mais do que um resultado financeiro, a ação reforça o papel do voluntariado no terceiro setor e mostra como talentos individuais podem se transformar em instrumentos de cuidado coletivo.
Da escrita pessoal à doação coletiva

O livro nasceu de forma espontânea, a partir de reflexões pessoais que Gabriela começou a registrar há cerca de dois anos e meio. Inicialmente compartilhados com amigos e familiares, os textos ganharam espaço nas redes sociais e passaram a alcançar um público cada vez maior.
Com o incentivo dos leitores, as reflexões se transformaram em um projeto maior. A primeira edição foi distribuída gratuitamente, mas a demanda crescente levou à criação de uma segunda tiragem e, dessa vez, com vendas destinadas integralmente à doação.
“Foi algo muito natural. As pessoas começaram a pedir exemplares para presentear outras, e eu percebi que poderia transformar isso em uma forma de ajudar ainda mais”, explica Gabriela.
Fé, propósito e ação
A escrita de Gabriela também é atravessada pela espiritualidade, um elemento que, segundo ela, está diretamente ligado ao cuidado com o outro. Sem se limitar a uma religião específica, sua visão parte do princípio de que a fé precisa se traduzir em atitudes concretas.
“Independentemente da crença, a fé não pode ter as mãos vazias. Ela precisa se manifestar em atitudes, no olhar empático ao outro, especialmente a quem mais precisa”, destaca.
Essa perspectiva dialoga diretamente com sua trajetória no voluntariado e com a decisão de transformar o livro em uma iniciativa solidária.
Voluntariado como propósito de vida
A relação de Gabriela com o INCAvoluntário começou há mais de dez anos e se mantém ativa até hoje. Sua atuação na recreação infantil evidencia uma das dimensões mais importantes do voluntariado: o cuidado emocional e humano durante o tratamento oncológico.
Para ela, doar tempo é uma das formas mais valiosas de contribuição.
“O tempo é o nosso maior ativo. Quando você escolhe dedicar parte dele ao outro, isso transforma não só quem recebe, mas também quem doa”, afirma a voluntária.
Além da atuação voluntária do INCAvoluntário, Gabriela também contribui com o terceiro setor em outras frentes. É conselheira na Fundação do Câncer, na Fundação Roberto Marinho, com foco em educação, na Fundação Casa Santa Inês e, mais recentemente, passou a integrar o conselho da Fundação do Cérebro Paulo Niemeyer.
Essa vivência foi determinante para a decisão de destinar toda a renda do livro à instituição. O vínculo com os pacientes e suas famílias fortaleceu a percepção de que qualquer contribuição — financeira ou não — tem impacto direto na qualidade do atendimento.
Impacto real no apoio ao paciente oncológico
No contexto do terceiro setor, iniciativas como essa são fundamentais para complementar o cuidado oferecido aos pacientes. Recursos arrecadados ajudam a viabilizar ações que tornam o tratamento mais humanizado, acolhedor e digno.
Gabriela destaca que cada contribuição faz diferença:
“Existem muitas necessidades que vão além do tratamento médico. Tudo o que ajuda a trazer mais conforto e humanidade para os pacientes é essencial.”
O livro se tornou um canal de mobilização. A expectativa de Gabriela é que a leitura desperte nos leitores um olhar mais atento às necessidades ao redor e incentive novas ações solidárias.
“Não faz sentido ignorar quem precisa de ajuda tão perto de nós. Pequenas atitudes já fazem uma grande diferença”, ressalta.

Ser voluntário, além do óbvio
A história de Gabriela reforça a mensagem que o voluntariado não se limita a ações presenciais ou tradicionais. Ele pode surgir de habilidades pessoais, iniciativas criativas e novas formas de engajamento.
Seja doando tempo, talento ou recursos, o essencial é o compromisso com o outro.
Em um cenário em que o terceiro setor depende cada vez mais da participação da sociedade, exemplos como esse mostram que qualquer pessoa pode contribuir, e que, muitas vezes, um gesto individual pode gerar um impacto coletivo significativo.
A iniciativa de Gabriela Salomão Vaz Moreira é um retrato claro de como a doação e o voluntariado podem caminhar juntos. Ao transformar um projeto pessoal em uma ação solidária, ela amplia o alcance do cuidado e inspira outras pessoas a fazerem o mesmo.
Porque, no fim, ajudar pode começar de muitas formas, até mesmo com uma página em branco.
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